22 de setembro de 2016

Charliton quer revisar tributos e caçar ‘fantasmas’ para reduzir gastos

charliton-no-jpbAngélica Nunes

O professor Charliton Machado (PT) quer fazer uma revisão tributária para aumentar a arrecadação da administração municipal de João Pessoa. O candidato a prefeito da capital pelo PT encerrou nesta quinta-feira (22) a série de entrevistas com os prefeitáveis da capital, realizadas pela equipe do JPB 1ª Edição, da TV Cabo Branco. Além de responder a questionamentos sobre a mudança na avaliação da gestão de Luciano Cartaxo (PSD), após a saída do prefeito do partido, o petista aproveitou o espaço para apresentar algumas propostas do seu programa de governo.

O candidato disse que pretende fazer uma revisão do regime tributário na capital para otimizar a gestão pública no município. “Essa gestão perdeu força na questão de suas bases tributárias, saiu de 13,5% para 5,39%. Perdemos força do ponto de vista da sua capacidade de investimento”, disse. Dentre as propostas do petista está a quebra da política de perdão da dívida dos cartórios, readequação orçamentária, revisão de todos os contratos e discussão sobre multas ambientais que estão paradas, a exemplo do Manaíra Shopping, que teria uma multa de R$ 10 milhões. “Está descartado o aumento dos impostos”, reforçou.

Capacidade de investimento

O Professor Charliton também foi questionado sobre a proposta de redução dos gastos de R$ 90 milhões para R$ 180 milhões, cortando supostos servidores “fantasmas”. Laerte perguntou se ele tem conhecimento de quem seriam e porque nunca procurou o Ministério Público para denunciar. O petista acusou o gabinete do prefeito de manter 400 funcionários com custo de R$ 10 milhões. “Ninguém sabe quem são, quanto ganham, o que fazem, se são terceirizados”, criticou o petista, que foi novamente interpelado pelo jornalista por não ter denunciado antes. Charliton disse que sempre alertou Cartaxo, quando ainda eram do mesmo partido, sobre as irregularidades. “Lamentavelmente o prefeito não escutou o partido”, disse.

Racha com Cartaxo

O jornalista Laerte Cerqueira questionou o porquê de o candidato só passar a criticar a gestão de Cartaxo agora na eleição, se a insatisfação com o prefeito viria desde 2014. Charliton se defendeu que alguns enfrentamentos foram feitos de forma pública. “As nossas divergências internas nós fizemos internamente porque era um prefeito do nosso partido, sabíamos das dificuldades que era enfrentar uma candidatura que tinha se distanciado dos movimentos sociais e sindicais e da própria militância, mesmo com a resistência do prefeito e mesmo com a ausência do prefeito em fazer esse debate”, afirmou.

Orçamento participativo

O candidato disse que a sua meta é cumprir com o objetivo do programa e acusa Cartaxo de não respeitar a vontade popular. “A população, por exemplo, pediu 60 ruas calçadas. O prefeito fez 38 e nem todas são as que estão lá no Orçamento Participativo. Vamos respeitar a participação popular, cumprir com várias metas do orçamento que não foram cumpridas, como os calçamentos, porque se o prefeito fez 38 ruas em um ano, nós temos 2600 ruas para calçar ainda, nós vamos passar 230 anos calçando ruas. Isso é um absurdo”, comentou.

Casa de Longa Permanência

Charliton disse que a proposta de criação de uma Casa de Longa Permanência não tenho cunho eleitoreiro, mas foi incluído no programa de seu governo para atender ao pedido dos seguimentos sociais. Ele deu garantias de elas serão mantidas com recursos próprios do tesouro municipal e tem como finalidade garantir uma área especial para que os idosos tenham lazer, esporte, cultura e de convivência social. “Sabemos como fazer vamos ter investimentos para essa proposta”, disse.

Máquinas de hemodiálise

Ao ser perguntado sobre o que o candidato pretende fazer com as 40 máquinas de hemodiálises que estão paradas no Hospital Santa Isabel, compradas ainda na época que a gestão era do PT na capital, Charliton lamentou que as máquinas já perderam a garantia e se comprometeu a retomar o planejamento para que pacientes renais tenham atendimento com qualidade.  “Temos R$ 29 milhões nos cofres da saúde desde 2013 até hoje que não foram gastos, não existe crise existe incompetência”, acusou.

Debate na TV Cabo Branco

No dia 29 de setembro, os candidatos ficarão frente a frente no tradicional debate das TVs Cabo Branco e Paraíba. Será o último e decisivo confronto de ideias antes das eleições, que acontecerão no dia 2 de outubro. Na capital, o mediador será o jornalista Fábio William (Globo Brasília). Caso haja segundo turno, um novo embate está marcado para o dia 28 de outubro.